Vinte adolescentes atendidos pelo Sistema Socioeducativo do Ceará participam de um curso de design de estampas dentro do Centro Educacional Patativa do Assaré, em Fortaleza. A formação integra o projeto “SÓ MININO BOM – Design como Ressocialização, Memória e Liberdade”, iniciativa voltada à qualificação profissional e ao desenvolvimento criativo de jovens em cumprimento de medidas socioeducativas.
O curso trabalha conceitos de design gráfico, uso de softwares livres e noções de inserção no mercado de trabalho. Ao final da formação, os participantes desenvolvem uma coleção própria de estampas aplicadas em camisetas produzidas a partir das criações dos próprios alunos.

Além das técnicas de composição visual, tipografia e diagramação, os adolescentes aprendem a utilizar o Inkscape, programa de edição gráfica em software livre. O conteúdo também inclui elaboração de portfólio, atendimento ao cliente e orientações sobre possibilidades de atuação profissional.
Segundo o idealizador e professor do projeto, Wesley Farpa, a proposta surgiu a partir de experiências anteriores desenvolvidas dentro do sistema socioeducativo.
Ele conta que já atuava como professor de design gráfico no projeto Trilharte, ligado ao Programa de Oportunidades e Cidadania (POC), quando passou a defender uma formação mais voltada ao design de moda e à criação de estampas.
“O design trabalha com imagem, comunicação e criação. Hoje, saber produzir e interpretar imagens é uma habilidade importante para a cidadania e também para o mercado de trabalho”, afirma.
Farpa destaca ainda que a iniciativa busca ampliar as formas de expressão dos jovens e questionar estigmas associados às periferias e ao sistema socioeducativo.

“Muitas vezes, as imagens sobre juventude periférica são produzidas de fora, associadas à violência e aos estigmas. O projeto propõe que os próprios jovens tenham ferramentas para contar suas histórias”, diz.
A proposta também aposta no design como instrumento de autonomia criativa e construção de pertencimento. A organização estima alcance indireto em cerca de 200 familiares.
O projeto conta ainda com assistência do professor Biel Silva, produção de Alisson Severino, assistência de produção de Cibele Nascimento e fotografias de Everton Jonh Raposa e Elieldo Firmino.

