A obra ocupa os dois andares da Casa do Barão de Camocim. Sua primeira exposição solo reúne um apanhado da produção de Trojany atravessado pelas forças da água, do cotidiano e dos territórios que moldam sua trajetória.
Reunindo uma longa trajetória de produção artística e pesquisas, a artista visual e pesquisadora cearense Trojany apresenta “Água Escura Natureza Elétrica”, sua primeira mostra individual, que abre ao público hoje, sábado (15/08), às 19h, na Casa do Barão de Camocim. Amanhã, domingo (16/08), o público poderá participar de momentos com a artista e o curador em uma programação especial com oficina, almoço e visita guiada.
Com curadoria de Rodrigo Lopes, a exposição reúne 15 obras. Fotografias de família, retratos de ritos de passagem, vídeos, registros de performances, objetos encontrados, fotografias do século XIX, bandeiras-palavras, sites e aves taxidermizadas compõem um acervo que tensiona as relações entre a história colonial e contemporânea do Ceará a partir do elemento central que molda seu território e seu imaginário: a água.

O que acontece quando os fluxos de dados encontram o ciclo das águas, ou quando os cabos de fibra óptica atravessam o leito de rios que um dia foram secos? Em que medida a infraestrutura digital, sobreposta à paisagem dos açudes, reescreve não apenas a geografia, mas a própria memória do território? É a partir dessa provocação que a mostra ocupa o térreo e o primeiro andar do equipamento cultural, oferecendo ao público um percurso que confronta diferentes regimes hídricos — da seca extrema ao transbordamento, das enchentes e chuvas de granizo aos ritos do cotidiano.
A poética de Trojany preserva memórias e as transforma em matéria viva. Conforme pontua o texto curatorial, a obra da artista aproxima temporalidades e cosmologias distintas:
“Como deusa do Egito, a barragem do Açude Orós deixa de ser apenas uma estrutura funcional para tornar-se uma superfície de imaginação, elaborando uma poética capaz de transformar a memória em permanência e o desastre em imaginação. A exposição reivindica a descoberta como método: a capacidade de encontrar aquilo que não se procurava e estabelecer novas relações entre imagens, tempos e matérias, mantendo em órbita memórias e sensibilidades que o conflito moderno insistiu em dispersar.”
Fruto de pesquisas e andanças que já circularam por diversos espaços de formação, residências e exposições, a prática de Trojany é marcada por um intenso deslocamento expressivo. A mostra apresenta um acervo heterogêneo composto por fotografias de família, retratos de ritos de passagem, vídeos, registros de performances, objetos encontrados, fotografias do século XIX, bandeiras-palavras, sites e aves taxidermizadas. A produção mantém em relação o que a modernidade buscou separar: o mito e a engenharia, a seca e a abundância, o céu e a terra, a memória e a tecnologia.
Atividade aberta ao público
No domingo (16), a programação se desdobra em ações formativas e de mediação abertas ao público: pela manhã, das 9h às 12h, a artista ministra a oficina “Comer o Oráculo”, que se propõe como uma roda de conversa e imersão nos seus processos criativos e pesquisas; à tarde, das 14h às 16h, o curador Rodrigo Lopes conduz uma visita guiada pelas obras da exposição. Além das atividades presenciais, o projeto contempla ações de acessibilidade para pessoas com deficiência e uma versão virtual acessível via site.
A Exposição conta com o apoio 14° Edital Ceará das Artes — Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), através da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE), Ministério da Cultura e Governo Federal.
SOBRE A ARTISTA
Trojany (Icó-CE, 1993) vive e trabalha entre Fortaleza e Icó. Investiga as raízes negras e indígenas do território onde cresceu, observando os desdobramentos coloniais, tecnológicos e modernizantes da vida rural. Com uma abordagem ampliada do conceito de arquivo, traça interações entre corpo, máquina, natureza, memória e virtualidade por meio de instalações, sites, taxidermia, artes digitais, filmes e performances. Instagram: @_trojany
SERVIÇO
Exposição “Água Escura Natureza Elétrica” — Trojany
Abertura: 15 de agosto (sáb), às 19h
Programação do dia 16/08 (domingo):
Manhã – 09h às 12h: Oficina, roda de conversa e almoço: “Comer o Oráculo” (processos criativos com Trojany). 15 Vagas. Inscrição via formulário
Tarde – 14h às 16h: Visita guiada com o curador Rodrigo Lopes
Local: Casa do Barão de Camocim (R: General Sampaio, 1632 – Centro, Fortaleza)
Entrada: Gratuita | Recursos de acessibilidade disponíveis

