Aula de campo do Fortaleza Negra relembra luta dos jangadeiros negros na Praia de Iracema

A história de resistência dos jangadeiros cearenses será tema de uma aula de campo promovida pelo movimento Fortaleza Negra no próximo sábado (7), na capital cearense. A atividade propõe um percurso pela orla da Praia de Iracema, antiga Praia do Peixe, onde ocorreu um dos episódios mais marcantes da luta negra no Ceará.

A iniciativa parte de uma inquietação do coletivo em relação à ausência da história negra nos espaços formais de ensino. Segundo Carlos Douglas, representante do movimento Fortaleza Negra, a proposta das aulas é ocupar a cidade como sala de aula. 

“A ideia surgiu pela inquietação de não termos aulas pela cidade de Fortaleza que falasse sobre a história do nosso povo negro”, afirma. Ele explica que o formato é presencial e itinerante, com o grupo caminhando por locais onde ocorreram lutas negras históricas. “A gente caminha pelos lugares onde aconteceram lutas negras históricas para reconstruir uma história esquecida”, destaca.

O conteúdo da aula aborda o movimento dos jangadeiros que, em janeiro de 1881, se recusaram a transportar pessoas negras escravizadas para navios maiores, contrariando comerciantes que lucravam com o tráfico. Na época, os trabalhadores do mar declararam que “no Ceará não se embarcam mais escravos”, paralisando o envio de pessoas escravizadas para outras províncias brasileiras e se tornando um marco da resistência negra no Estado.

Para Carlos Douglas, conhecer essa história é fundamental para a população de Fortaleza “Reconstruir essa história faz com que a gente quebre o mito de que não existem pessoas negras no Ceará, contribuindo para que a geração atual se identifique com o seu passado negro em uma cidade que por anos estava enfraquecida”, afirma. 

Ele ressalta ainda que os participantes podem esperar conteúdos que não costumam ser abordados nas salas de aula tradicionais. “Podem esperar histórias não ensinadas em sala de aula e um conhecimento sobre os nossos ancestrais”, completa.

Durante todo o percurso, a aula será aberta ao diálogo. De acordo com o representante do Fortaleza Negra, o formato estimula debates constantes entre os participantes. Segundo ele, as aulas de campo fazem parte da essência do coletivo, embora a atividade específica sobre os jangadeiros aconteça apenas no início do ano.

A aula foi pensada a partir das pesquisas do professor Hilário Ferreira e tem como objetivo preservar a memória de heróis, heroínas e ancestrais negros que lutaram em Fortaleza. O ponto de encontro será no Centro Dragão do Mar, às 15h, no dia 7 de fevereiro de 2026. As vagas são limitadas, a inscrição é feita pelo link disponível na bio do Instagram @fortaleza_negra, e o investimento para participar é de R$ 20.


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