Ceará lidera assassinatos de pessoas trans em 2025; no Brasil, maioria das vítimas são negras

O Ceará está entre os estados com o maior número de assassinatos de pessoas transexuais e travestis em 2025, com oito casos registrados, de acordo com o dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), lançado nesta segunda-feira (26).

No mesmo período, o Brasil contabilizou 80 assassinatos e manteve-se, pelo 18º ano consecutivo, como o país que mais mata pessoas trans no mundo.

O levantamento da Antra evidencia ainda um recorte racial. Entre os 57 casos em que foi possível identificar a raça ou cor das vítimas em 2025, ao menos 40, o equivalente a 70%, eram pessoas trans negras, considerando pretas e pardas.

Pessoas brancas somaram 15 casos, enquanto dois assassinatos vitimaram pessoas indígenas trans. A análise do período entre 2017 e 2025 indica que a proporção de vítimas trans negras assassinadas se manteve em média em 77%, frente a 22% de pessoas brancas e 1% de indígenas.

Os dados apontam que a violência segue concentrada na Região Nordeste, que respondeu por 38 mortes em 2025. Minas Gerais também registrou oito assassinatos, igualando o Ceará no topo do ranking estadual.

Apesar da queda de cerca de 34% em relação a 2024, quando foram contabilizados 122 crimes, o dossiê destaca que o recuo não representa, na prática, a superação do quadro de violência, diante do aumento das tentativas de homicídio no período.


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