As mulheres de terreiro estarão às 16 horas de amanhã, sexta-feira (9), na Casa Marielle Franco, para definir os conteúdos, ou seja, as pautas que farão parte das atividades do 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e organizar o II Encontro das Mulheres de Terreiro do Ceará, que ocorrerá no mesmo mês.
No Ceará, segundo o Censo 2022 do IBGE, há 13.826 mulheres praticantes de Umbanda e Candomblé (incluindo outras religiões afro-brasileiras), representando 49,62% do total de 27.862 adeptos (homens e mulheres), um aumento significativo em relação a 2010, quando eram 42% (1.727 mulheres).
Para Nayara Lima, do Instituto Carta Magna de Umbanda (ICMU-CE) é a oportunidade de sugerir políticas públicas e melhorias para o setor. Ela recorda que no último encontro, o auditório foi pequeno, tamanha a participação, inclusive com presença de autoridades.
O Setorial de Terreiro do Psol também está engajado. Nayara destaca que essas mulheres são figuras centrais nas religiões de matriz africana (Umbanda e Candomblé), atuando como líderes espirituais, curadoras, educadoras e empreendedoras, sendo essenciais na preservação cultural e na luta contra o preconceito.

Com idêntica visão, o presidente do ICMU-CE, Pai Gérson, entende que a participação das mulheres de terreiro do Ceará nas atividades dessa data é fundamental para fortalecer a luta pelos seus direitos, contra o machismo, a homofobia, o patriarcado, o racismo e a intolerância religiosa e lembra que a Umbanda é protegida na forma da lei pela Constituição da República Federativa do Brasil. “Lutamos para que os direitos dos Povos de Terreiro sejam cobrados com responsabilidade aos governantes e aos Poderes Públicos, tanto nacional, quanto estadual e municipal”, explicou.
Mãe Taty, do terreiro da Cabocla Jacira, e uma das idealizadoras dos encontros, destaca que o enfrentamento das mulheres de terreiro é uma necessidade, já que são discriminadas, por serem mulheres umbandistas e candomblecistas.
Mãe Tecla do Caboclo Tupinambá é Vice-presidente e conselheira da União Espírita Cearense de Umbanda (Uecum), a instituição mais antiga do Ceará. Tem uma fortaleza gigante. Ela é diretora do Maracatu Filhos de Iemanjá e faz parte ainda do Comitê de Expressões Culturais Afro-brasileiras e Matriz Africana da Secretaria da Cultura do Estado e do Conselho Municipal de Promoção de Igualdade Racial.
Zimá Ferreira da Silva (Mãe Zimá) tem o título de Mestra da Cultura pelos saberes e práticas com ervas populares curativas e medicinais. Tem uma vida inteira dedicada à Umbanda. Ela fundou o Terreiro Ogum Megê, onde realiza as práticas da Umbanda, acolhendo a todos que a procuram em busca de alívio e caridade.
A umbandista e secretária de organização do Psol, Janaina Araújo, diz que é preciso mais do que nunca sair às ruas e denunciar a violência contra as mulheres: “Tem muita gente ganhando votos e dinheiro com pautas que alavancam o machismo ou que tiram a atenção dos problemas reais. Enquanto estamos sendo agredidas, mortas e estupradas, eles estão fazendo campanha para queimar chinelos.”
SERVIÇO
Casa Marielle Franco – Rua Waldery Uchôa, 260, Benfica, Fortaleza
Por Elizabeth Rebouças
Foto: Sara Sousa / Igba Agência

