Mulheres cearenses se mobilizam para 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras em Brasília

Mulheres negras de várias regiões do Ceará estão se mobilizando para participar da 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras por Reparação e Bem-Viver, que será realizada no dia 25 de novembro, em Brasília (DF) e deve ser reforçada por outra marchas pela mesma causa em diversos outros locais, como no Carirí cearense. A mobilização nacional deve reunir milhares de mulheres de todo o país em defesa de políticas públicas, igualdade racial e reconhecimento histórico da luta das mulheres negras.

No Estado, a articulação é conduzida por comitês regionais e estaduais, com destaque para o Comitê Regional do Cariri, que desde 2015 organiza marchas próprias e contínuas na região. “Nós não deixamos de marchar nenhum ano, nem mesmo na pandemia. Aqui, estamos realizando a sexta edição, porque entendemos que o espaço da mulher negra precisa ser visibilizado e marcado com força e constância”, afirma Verônica Izidório, integrante da Frente de Mulheres do Cariri e participante do comitê.

Para Verônica, marchar é também reivindicar o direito de existir em uma sociedade ainda marcada pelo racismo e pela desigualdade. “A gente fala em reparação porque este país deve à população negra, especialmente às mulheres negras. O bem-viver que reivindicamos tem a ver com como o Estado organiza e enxerga as políticas públicas voltadas para nós, mas também com o reconhecimento da nossa força e da nossa inteligência coletiva”, diz.

A 1ª Marcha Nacional das Mulheres Negras foi realizada em 2015, reunindo mais de 100 mil mulheres em Brasília. Quase dez anos depois, o movimento retorna às ruas da capital com o mesmo lema de enfrentamento ao racismo e ao machismo, reafirmando o protagonismo das mulheres negras na formulação de políticas públicas e na reconstrução democrática do país.

No Cariri, a marcha ocorre de forma bienal, reunindo lideranças comunitárias, quilombolas, jovens e trabalhadoras urbanas. “A gente conseguiu imprimir desde 2015 uma luta muito presente e potente das mulheres negras na região. A marcha é um espaço de alegria, resistência e organização política”, acrescenta Verônica.

Em nível nacional, a mobilização é coordenada por Comitês Impulsores distribuídos nos 27 estados, reunindo mulheres quilombolas, ribeirinhas, trabalhadoras do campo e da cidade, artistas e ativistas. O objetivo é construir uma agenda comum por reparação histórica e igualdade racial.

“Estar em Brasília é um ato de denúncia, mas também de esperança. É dizer que estamos vivas, organizadas e determinadas a mudar essa realidade”, conclui Verônica.


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