O Instituto do Patrimônio Histórico e ArtÃstico Nacional (Iphan) esteve presente em Canarana (MT), nos dias 29 e 30 de setembro, em reunião na sede da Associação Terra IndÃgena do Xingu (ATIX), com o objetivo de explicar sobre a atuação do Instituto, além de dar continuidade à criação do Grupo de Trabalho que debaterá o Patrimônio Cultural dos povos do Xingu, buscando desenvolver diretrizes para a proteção deste, respeitando os princÃpios do amplo consentimento prévio fundamentado.
Estiveram presentes o superintendente do Iphan em Mato Grosso, Fernando Medeiros; o arqueólogo do Iphan-MT, Francisco Stuchi; a auxiliar institucional do Iphan-MT, Fernanda Araújo; e as arqueólogas Ana Leal e Fernanda de Sousa Fernandes, do Centro Nacional de Arqueologia (CNA), unidade especial do Iphan. O evento também contou com a participação de diversas lideranças indÃgenas, caciques e membros do GT de Obras do Território IndÃgena do Xingu (TIX), equipe de assessores técnicos do Instituto Socioambiental (ISA), do Instituto Homem Brasileiro (IHB), da Amazon Conservation Team no Brasil (ACT-Brasil).
Durante os dois dias de reuniões, ficou definido que o Iphan irá estabelecer o Grupo de Trabalho (GT) para discutir de forma ampla o Patrimônio Cultural dos povos xinguanos. O objetivo é pactuar junto aos detentores indÃgenas as polÃticas para a preservação e gestão dos SÃtios Arqueológicos e lugares sagrados tombados pelo Iphan, tais como a Gruta de Kamukuwaká e Sagihengu e demais patrimônios culturais dos 16 povos indÃgenas que vivem neste território: Aweti, Ikpeng, Kalapalo, Kamaiurá, Kawaiweté, Kisêdjê, Kuikuro, Matipu, Mehinako, Nahukuá, Naruvotu, Tapayuna, Trumai, Wauja, Yawalapiti e Yudja.
A criação do GT consistiu em acordo firmado em 2023, na 9ª Reunião de Governança Geral do Território IndÃgena do Xingu (9ª GGTIX), realizado no Polo Leonardo / Território IndÃgena do Xingu (TIX). Na ocasião, o Iphan também assumiu o compromisso de somente se manifestar no processo de Licenciamento Ambiental da BR-242 e da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) após a aprovação da alternativa locacional pelos povos indÃgenas, a qual também depende de pesquisa arqueológica colaborativa com os xinguanos, visto que ambos os empreendimentos ofereciam riscos à preservação da Gruta Sagrada de Kamukuwaká.
Em paralelo ao encontro recente, a equipe do Iphan, acompanhada pelos historiadores indÃgenas do Xingu, visitou a Gruta Sagrada de Kamukuwaká, SÃtio Arqueológico tombado pelo Instituto, para discutir in loco as medidas para proteção deste bem.
Posteriormente, a convite da Associação IndÃgena Ulupuwene, do Alto Xingu-MT, e da People’s Palace Projects (PPP), centro de arte e pesquisa para justiça social e climática sediado na Universidade de QueenMary, em Londres, o Iphan participou da cerimônia de inauguração da réplica da Gruta Sagrada de Kamukuwaká. O evento histórico foi realizado no dia 3 de outubro, na Aldeia Ulupuwene, Terra IndÃgena Batovi, com a presença dos povos indÃgenas do Xingu e de outras regiões do Brasil, além de parceiros, autoridades e convidados especiais. O superintendente do Iphan-MT, Fernando Medeiros, representou o presidente do Iphan, Leandro Grass, e a ministra da Cultura, Margareth Menezes, durante o evento.
“Reafirmamos o compromisso do Iphan com a formação do Grupo de Trabalho para discutir e apoiar institucionalmente a salvaguarda do Patrimônio Cultural dos povos do Xingu, notadamente a Gruta de Kamukuwaká e Sagihengu, devido à relevância destes que integram os quase dois mil sÃtios arqueológicos registrados em Mato Grossoâ€, ressaltou o superintendente.
“Visitar o SÃtio Arqueológico Gruta do Kamukuwaká foi de suma importância para visualizar os desafios relativos a sua gestão e aprender sobre a importância dada pelos Povos IndÃgenas a esse local sagrado. Ademais, a instalação da réplica nos demonstra o quanto as tecnologias podem contribuir para a preservação da memória e a socialização de SÃtios Arqueológicos, tornando-os cada vez mais acessÃveis aos diferentes públicosâ€, afirma Ana Leal, Coordenadora de Socialização e Conservação do CNA.
O Iphan está providenciando a formalização do Grupo de Trabalho, que se chamará “GT para preservação do Patrimônio Cultural dos povos do Xingu†e que tem a primeira reunião prevista para o dia 24 de outubro, com a participação de representantes do Instituto e da ATIX.

